Revista - Edição 01 - Outubro/2009

Pandeiro Valente

Por: Vera Camillo

No mesmo mundo e profissão de Jackson do Pandeiro e Marcos Suzano, uma moça faz sucesso ritmado e é boa de batucada. Sempre com seu pandeiro, Roberta Valente, paulistana da garoa, integra os grupos Ó do Borogodó, Choro Rasgado, Bola Preta, Chorando as Pitangas e Choro de Moça (este último formado só por mulheres instrumentistas) e também acompanha músicos e artistas dos mais variados estilos. Com seu sorriso meigo e sua habilidade musical, Roberta já fez apresentações ao lado de Yamandú Costa, Wanderléa, Beth Carvalho, Toninho Ferragutti, Arismar do Espírito Santo, Zé Renato, Proveta, Paulo Moura, Juliana Amaral e tantos outros.

Formada em Letras, Roberta estudou violão e cavaquinho, e é pesquisadora de música. “Profissionalmente comecei em 1994, no grupo Bola Preta (choro) e ao mesmo tempo no grupo Bando da Rua, onde me apresentava tocando, cantando e contando histórias da música brasileira que faziam parte das minhas pesquisas sobre os anos 20, 30, 40”, relata Roberta, que completa: “Comecei a estudar violão menina ainda, com uns 12, 13 anos... depois brinquei um pouco de cavaquinista e fui pra percussão, sou autodidata.”. Mas é como pandeirista que Roberta tem sua maior atuação.

Em sua discografia estão os CDs Baba de Calango, (gravado em 2005 com o grupo Choro Rasgado), Chorando as Pitangas (gravado em 2006), e Tributo a Altamiro Carrilho (gravado em 2007, com o grupo Ó do Borogodó). Roberta conta ainda com participações nos trabalhos de Izaias do Bandolim, Carmen Queiroz, Dudah Lopes, Quinteto Madeira de Vento, Bando da Rua, Clóvis Maciel, Adriano Andrade, Luisinho 7 Cordas e Euclides Marques, Rômulo Fróes, Trash Pour 4, Alessandro Penezzi, João Macacão, D. Ica Assad, Ted Falcon e Pablo Fagundes, Thiago França, Walter Pinheiro. Como pandeirista, a maior influência de Roberta foi Marcelinho Gallani, exímio músico de Choro.

Roberta é constantemente vista nas telinhas, especialmente no programa Sr Brasil, apresentado por Rolando Boldrin (TV Cultura). Além dos palcos e das TVs, Roberta tem cadeira cativa no bar Ó do Borogodó (Vila Madalena/SP), onde se apresenta toda semana. Antes do Ó, foi do Bom Motivo. “Todo mundo passou pelo Bom Motivo. Foi lá que conheci Inezita Barroso, Beth Carvalho, Rolando Boldrin, Nelson Sargento, e tantos outros talentos anônimos.”

Admiradora da música brasileira nem consegue enumerar a quantidade de cantores, compositores e instrumentistas que aprecia. “Não dá pra citar, é gente demais!”, explica. Entre os pandeiristas, os ídolos são muitos: Jorginho do Pandeiro, Celsinho Silva, Marcos Suzano (do Rio), Marcelo Gallani e Guello (de SP), Valerinho Xavier (de Brasília), dentre outros mestres.

Com tanto talento, Roberta revela que falta ainda realizar alguns sonhos. “Gostaria de gravar e tocar com tanta gente... mas sou uma pessoa realizada. Conheci praticamente todos os meus ídolos, e já toquei com vários também...”. E confessa: “Falta o Chico Buarque, já pensou que sonho seria? E também adoraria fazer parte da banda do Zé Luiz Mazziotti, um dos maiores cantores do Brasil.”.

Roberta, assim, com seu pandeiro e sua música, afirma: “espero poder tocar pra sempre, pois a música é a minha vida.”.

Vera Camillo é jornalista, por formação, e apaixonada por música, por natureza. veracamillo@uol.com.br

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