"Um fraterno olhar da música brasileira"
Mú entrou na minha vida quando eu tinha nove anos de idade. Aguardávamos, eu e meus irmãos - Sérgio (hoje produtor musical), Dadi (hoje baixista) e Toca (hoje economista) - a chegada de mais um bebê. Muito menino ainda, descobriu pra que serviam telas, tintas e pincéis - tenho alguns de seus trabalhos enfeitando as paredes de minha casa. Adolescente, encantou-se com a música. Crescemos ao som que vinha do piano, onde nossa mãe, pianista amadora com anos de estudo no Conservatório Brasileiro de Música, costumava executar chorinhos de Ernesto Nazareth. Mú ouvia e observava o movimento que ela fazia com os dedos. Nossa casa era freqüentada por muitos músicos, devido principalmente ao trabalho do Sérgio. Mú não perdia um pianista em ação e foi assim que viu de perto o talento de Marcos Valle, Ivan Lins... Começamos a perceber que surgia mais um pianista em casa, totalmente autodidata, que aos poucos foi abandonando o que achávamos que seria uma promissora carreira de artista plástico... Logo pisava em palco, nos shows do grupo Semente, para em seguida acompanhar Jorge Ben e Moraes Moreira e fundar o grupo A Cor do Som. Um de seus primeiros sucessos como compositor foi a música "Sapato velho", em parceria com Cláudio Nucci, que recebeu letra do cunhado Paulinho Tapajós. Hoje, Mú é dono de um rico currículo profissional que inclui atividades como compositor, instrumentista, arranjador e produtor musical. No seu estúdio, o Boogie Woogie Music, gravou o CD "O pianista do cinema mudo", seu segundo disco solo, que acaba de lançar pelo selo Boogie Woogie Music, com distribuição da Kuarup - belíssimo trabalho de um artista que já marcou definitivamente seu lugar na música popular brasileira.
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