Fui hoje pela manhã assistir a mais uma generosa
apresentação do grupo “No olho da rua”, que há 12 anos vem trazendo
para as ruas do Rio de Janeiro deliciosos shows de jazz-samba (ou
será samba-jazz?) gratuitos. No caminho, encontrei uma simpática
banda ‘rubro-negra’, comemorando com alegria, bom humor e muita
paz seu hexa-campeonato – merecido, claro, mas atrasaria a apresentação...
Resolvi ir dar uma pedalada, a câmara da bicicleta furou, tive que
trocar no final do Leblon, e voltei pedalando rápido (apesar do
vento leste tirar o couro) para assistir o espetáculo e, ao chegar,
apenas rostos espantados e decepcionados, e Xandy dando entrevista
para uma repórter da Band... O tal “choque de ordem” da Prefeitura
simplesmente “proibiu” o show.
Conversei com Paulo Rego, que sempre teve cuidado em fazer tudo
de acordo com os princípios da Prefeitura, e ele me disse que a
autorização foi atualizada na última sexta-feira, dia 18, e que
o “batalhão de choque” disse simplesmente que aquele “papel” não
tinha qualquer valor...
Bem, vivemos em uma Cidade que não preza suas origens, não estimula
a preservação de nossa cultura musical - onde se vê apresentações
de Bossa Nova, Samba Canção, Chorinho e outras maravilhas cariocas
sendo apresentadas aos turistas? Ou, ainda, qual a “Rádio” toca
nossa música de raiz?
Agora, além de tudo, é proibido um trabalho voluntário, de artistas
que amam o que fazem (e de excelente teor), por patrulheiros que
não têm o menor treinamento (como dizer que uma autorização “legal”
de uma Subprefeitura não tem valor?) e a menor capacidade de distinguir
o que vem a ser “desordem” ou “cultura”. E a Secretaria Municipal
de Cultura, já há um ano no “poder”, ainda não conhece seus manifestos
populares? Ainda não chamou os artistas livres e “gratuitos”, que
somente doam cultura ao nosso povo, para uma conversa e estender
suas mãos? Ainda não disse para os contratados para fazer o batalhão
de choque que artista não é bandido, nem contrabandista, nem contraventor,
que está fazendo somente o que seria de responsabilidade da Secretaria
Municipal de Cultura fazer/
Definitivamente, a desordem de valores chocou Ipanema.
Lastimável...
Para conhecer melhor o trabalho do Grupo, clique
aqui e leia a entrevista com Paulo Rego, cedida
dom exclusividade ao Alô Música.
Não trabalhamos com “sensacionalismos”, como nossos usuários já
sabem, mas Paulo cederá outra entrevista ainda essa semana para
comentar sobre o lançamento do novo DVD, que está “MARAVILHOSO”,
e, infelizmente, sobre esse degradante episódio...
Solange Castro
20 de dezembro de 2009.
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