Entrevista

Guto C

dez/2006 - Por: Eliane Verbena

O paulista, de Jundiaí, Guto C é um intérprete de raro e belo timbre. Canta o que gosta e o que encanta o ouvinte. Sua música – como sua própria personalidade – é carregada de simplicidade e beleza. Aos 42 anos, ele lança o primeiro CD, Infinito Paraíso, pela Zaid Records com produção caprichada do maestro Lincoln Olivetti. Guto C nos conta um pouco sobre sua vida e sua música em entrevista exclusiva para o Alô Música. Espero que seja uma bela descoberta também para aqueles que clicarem aqui.

Eliane - Olá, Guto C! Para começar o nosso papo, conte para os internautas como e quando foi que descobriu que a música faria parte da sua vida.

Guto - Olá, Eliane! É um prazer conceder esta entrevista para um site como o Alô Música, que trata a música brasileira com devido respeito, além de ter um conteúdo excelente. A música entrou na minha vida quando ainda era garoto. A partir do momento em que pluguei-me no rádio, desde que acordava até a hora de dormir, já soube que não tinha como escapar. Meu caminho estava ali, nas ondas sonoras.

Eliane - E quando cantou pela primeira vez em público?

Guto - Em um festival estudantil, aos 18 anos.

Eliane - Onde foi?

Guto - No colégio e ganhamos o segundo lugar. Apresentei-me com o grupo Olho Nu.

Eliane - Que música cantou? Lembra-se?

Guto - Cantamos "Preso ao passado e livre ao presente", uma música composta por um dos integrantes do grupo. Depois disso gravamos um compacto simples pela Copacabana.

Eliane - Hoje, você interpreta canções que se enquadram, digamos assim, no estilo soul music romântica. Foi uma escolha para atingir um público determinado ou esta é mesmo a sua praia?

Guto - Sim. Esta é minha praia total, sempre gostei muito desse estilo...

Eliane - Pode nos explicar melhor o porquê de toda essa atração?

Guto - São várias coisas. É difícil verbalizar, não sou de falar muito, mas posso destacar o swing, a leveza das músicas, o som... Gosto das belas melodias, que passeiam por qualquer estilo sem a obrigação de se rotular.

Eliane - O que acha dos artistas que carregam um “rótulo”, principalmente dentro das tendências e modismos?

Guto - Eu, particularmente, não sinto atração nenhuma por esse tipo de música, sobretudo por serem passageiras. Já é tão difícil entrar no mercado e manter-se nele...

Eliane - O que você acha que precisa fazer, de agora em diante, para entrar no mercado?

Guto - Naturalmente, de muita divulgação e consolidar uma aproximação com o público. Sem ele não chegamos a lugar algum.

Eliane - Qual a maior dificuldade que você vê para a consolidação da sua careira?

Guto - São algumas: a falta de dinheiro para se investir na carreira, o difícil acesso à mídia, hoje em dia, e a falta de uma política cultural que, infelizmente, não temos.

Eliane - O que acha que o Ministério da Cultura poderia fazer para uma maior democratização da mídia?

Guto - Tanta coisa... Criação de projetos e consolidação da profissão, por exemplo, pois ela é, ainda hoje, marginalizada. O Ministério da Cultura é o órgão que teria toda as condições mudar esta situação.

Eliane - Acredita que isto possa acontecer um dia?

Guto - A esperança eu tenho. Temos que acreditar que essa situação ainda pode se reverter, pois existem tantos artistas bons e talentosos brigando pelo mínimo espaço, pela mínima sobrevivência. Isso é algo que nos entristece. Tem que haver uma política cultural voltada para isso, volto a falar...

Eliane - Bom, está dado o seu recado. Vamos entrar um pouco na sua carreira. Seu primeiro CD, “Infinito Paraíso”, acaba de sair. Acha que demorou muito ou foi o tempo certo?Guto - Acho que é o tempo dele. Tudo tem seu tempo e sua época para acontecer.

Eliane - Por que escolheu o Lincoln Olivetti para produzi-lo?

Guto - Porque não teria pessoa melhor para isso, considerando toda a sua história na música. Tenho uma grande afinidade musical com ele.

Eliane - Saiu tudo como você queria. Houve alguma imposição por parte dele? Como é trabalhar com ele?

Guto - Sim, saiu... com certeza. Tudo que ele me propunha era exatamente aquilo que eu queria. Trabalhar com o Lincoln ele é uma experiência que levamos para toda vida, tanto no lado profissional como na vida pessoal. Certamente, ele é um gênio da música.

Eliane - Sua voz é linda. Isto já te abriu alguma porta?

Guto - Não digo isso, deixo que as pessoas julguem... O Lincoln é muito perceptivo a isso também. Acho que o público é que tem que gostar, consagrar ou não o artista.

Eliane - Não vou incentivar sua modéstia, mas mudar de assunto... Fale um pouco sobre o tipo de música que gosta de ouvir e sobre os artistas que admira no cenário brasileiro.

Guto - Gosto muito de MPB, jazz e de soul music. Adoro escutar música no rádio, acima de tudo.

Eliane - E os artistas que admira...?

Guto - Muitos: Tim Maia, Elis Regina, Cassiano, Carlos Dafé, o próprio Lincoln Olivetti, Robson Jorge, Leila Pinheiro, Leni Andrade... No Brasil, temos muitos cantores incríveis, o universo é enorme!

Eliane - Fale sobre você para que as pessoas saibam quem é Guto C. Diga como foi sua infância, o que mais você faz na vida e o que já fez, além de cantar...

Guto - Minha infância foi normal como a da maioria dos garotos da minha época. Sempre gostei de música como já falei; tentei trabalhar no comércio, mas não deu certo e me convenci que a música faria mesmo parte de mim e não tinha como fugir disso.

Eliane - Quem mais o incentivou na carreira?

Guto - Minha mãe foi uma pessoa que me incentivou bastante, meu pai também e minha mulher é uma das minhas maiores incentivadoras. Ela produz meus shows e faz tudo que pode para me ajudar.

Eliane - (Ele está falando de Andréa Barbosa). No seu álbum tem regravações históricas - ”Pensando Nela” (Don Betto), ”Primavera” (Cassiano e S. Rochael) e ”My Life” (Michael Soullivan) - e também músicas novas, quais delas te deu maior prazer ao gravar?

Guto - Todas me deram imenso prazer ao gravar. Cada uma tem uma história. Acho que isto é o bom do trabalho e também o que pode surpreender o ouvinte.

Eliane - Cite pelo menos uma que você adora...

Guto - “Primavera”, já que é pra citar, por ter sido uma música gravada por um ícone, o saudoso Tim maia. O Lincoln me deu de presente um arranjo singular para o peso e a responsabilidade de cantar essa música.

Eliane - Como é o Guto no dia a dia, qual é o teu perfil?

Guto - Sou uma pessoa bastante simples, sou muito calmo! Ah, e pai de quatro filhos!

Eliane - O que você espera de seu público e o que quer oferecer a ele?

Guto - Só espero que gostem do meu trabalho e que, sobretudo, comprem meu disco para que eu possa continuar trabalhando... (contém risos nessa fala). Espero dar a ele o que de melhor houver em minha arte.

Eliane - Para finalizar, fale de seus projetos futuros. O que pode vir por aí?

Guto - Penso em um próximo trabalho para o próximo ano com a preocupação em faze-lo tão bom ou ainda melhor que esse... E muitos shows pela frente.

Eliane - Deixe um recado pra os internautas, convide-os a conhecer seu trabalho.

Guto - Visitem meu site www.gutoc.com, curtam o trabalho e mandem suas opiniões, que são muito importantes. Prometo responder a todas as mensagens. Não deixem nunca de acessar o Alô Música e se informar sobre o que de melhor rola na música brasileira.

Eliane - Saiba que foi muito bom esse papo. Acho que deu para as pessoas terem uma idéia do grande cara talentoso e simples que você é. Espero que tenha sucesso e que a música traga somente alegrias para a sua vida. Obrigada!

Guto - muita paz e luz para todos!!!

Fotos: Dado Nogueira

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