A Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, sonho do autor destas linhas que já está quase virando realidade, consigna: "CLÁUDIO JORGE [de Barros] (1949 -) - Violonista, guitarrista, compositor e cantor nascido no Rio de Janeiro, RJ. Instrumentista de sotaque acentuadamente brasileiro, é freqüentemente requisitado para gravações e espetáculos no Brasil e no exterior. Compositor, é parceiro de Martinho da Vila, Cartola, João Nogueira e Nei Lopes, entre outros, em canções gravadas por vários intérpretes da música popular brasileira. A partir do final da década de 1990, tornou-se também conhecido e respeitado como arranjador e produtor musical".
Evidentemente que, por servirem a um texto de enciclopédia, as informações aí em cima são frias e calculadas. Mas o Cláudio Jorge é muito mais, querem ver só?
Neto e filho de jornalistas boêmios e festeiros, CJ foi picado muito cedo pelo vírus da música. E, rapazola ainda, já estava ele abraçado ao violão, com o qual acompanhou, inclusive, Ismael Silva e Clementina de Jesus. Foi esse violão que levou CJ ao exterior, tocando com Sivuca, para ter sua arte admirada na Europa, na África, nos Estados Unidos e no Japão. Arte de músico solista e acompanhante que mereceu elogios de gente como, por exemplo, o gaitista Toots Thielemans e o músico Sergio Mendes, com quem Claudio Jorge gravou o disco "Brasileiro", premiado com o "Grammy". E que, nos anos 70, o levou ao disco, em uma gravação na Alemanha e em outra brasileira, pela antiga Odeon, na qual também soltava a voz.
Viajou pelo Brasil com o grande músico e maestro Sivuca, e tocou com Sebastião Tapajós e o bandolinista Joel Nascimento, com quem gravou um disco na Alemanha.Esteve tambem no Japão, com Johnny Alf, Doris Monteiro e Mestre Marçal, participando do espetáculo da cantora Lisa Ono, com quem também gravou.
Mas, ao mesmo tempo em que aparecia e se internacionalizava, CJ, na parceria com João Nogueira, voltava ao seu quintal suburbano, do Cachambi. E pela mão de Martinho da Vila chegava à avenida.Pois há mais de dez anos, é de CJ o violão que, na avenida, dá o tom e a harmonia para os sambas da Unidos de Vila Isabel. E essa aproximação acabou, obviamente, levando-o a integrar a ala de compositores da escola, com orgulho e vibração. O CD que agora tenho a alegria de apresentar é, de fato, "coisa de chefe". Porque ser "chefe", no dialeto da "terra de Noel" é fazer bem aquilo a que a gente se propõe.
Cláudio Jorge, meu parceiro em dezenas de composições, como também o é, talvez com menos freqüência, de Wilson das Neves, Luiz Carlos da Vila, Ivan Lins, Aldir Blanc, Martinho e tanta gente boa, é um grande compositor, tão bom melodista quanto letrista. E é músico de verdade, brasileiríssimo em sua arte, além de um combatente nas lutas de nossa profissão.
Com um vasto time de amigos músicos e talentosos, cercou-se deles para fazer este disco, cuja ficha técnica reúne nomes como Gilson Peranzzetta, Cristovão Bastos, Leandro Braga, Humberto Araujo, Alceu Maia, Armando Marçal, Camilo Mariano, Carlos Malta, Carlinhos Sete Cordas, Cláudia Telles, Dirceu Leite, Fernando Merlino, Ivan Machado, Jamil Joanes, Leny Andrade, Marcelinho Moreira, Nilton Rodrigues, Ovídio Brito, Pirulito, Ricardo Pontes, Roberto Marques, e outros não menos importantes.
Sob o signo da arte e da amizade, e contando com a colaboração do Discover Studio, que cedeu suas instalações gratuitamente, CJ concebeu e co-produziu este CD inaugural do selo Carioca Discos, parceria já bem sucedida dele e Paulinho Albuquerque, cujo espírito já salta aos olhos nas fotos em p/b que fecham o encarte. Numa, os amigos Everaldo de Barros e Paulo Medeiros, jornalistas, músicos, boêmios e sobretudo cariocas, aprontam uma das suas. Na outra, o intérprete Cláudio Jorge (de Barros) e o produtor Paulinho(Medeiros) Albuquerque, olham, enternecidos, o retrato dos "velhos".
Disco de músico, disco de poeta, disco de amigo. Coisa de Chefe!
Nei Lopes
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